Em uma das lições mais interessantes e antropólogo-teológicas, o papa Bento XVI recomenda-nos ter coragem de dizer a Deus “não te entendo”, “ajuda-me”, nos momentos de incerteza (conf. Zenit.org, 27/09/2006).
O Pontífice cita o episódio da incredulidade do apóstolo Tomé, – conhecido nos Evangelhos como “Dídimo” – ausente no encontro de Jesus com os apóstolos ocorrido logo após a ressurreição, quando disse: “Se eu não vir em suas mãos o sinal dos pregos e não colocar o dedo no lugar dos pregos, e não colocar a mão em seu lado, não acreditarei”.
A despeito de – tão somente – julgar reprovável a atitude de Tomé, nós todos enfrentamos momentos de incertezas. Vemos, por exemplo dos santos, muitos desses momentos. Sentimos, assim como eles, o silêncio de Deus em determinados momentos de nossa vida e, talvez até compreendamos o clamor do Gólgota “Eloi!, Eloi!, lammá sabactâni!”( Meu Deus, meu Deus, por quê me abandonaste?).
Os questionamentos fazem parte da raça humana em busca de explicações para cada situação. Mas, nem sempre as temos de forma imediata. Aliás, são muitas as vezes em que as respostas estão escondidas em nosso coração, que se deve abrir sem reservas, sem defesas, sem melindres, integralmente a Deus.
O que aprendemos neste sentido é como encarar cada circunstância, principalmente os momentos difíceis, de “ventos contrários”, em nossa caminhada de fé. E, embora sem compreendermos muito bem o porquê, devemos sustentar vivamente nosso ardor cristão, crentes que Deus – com toda a certeza – têm sempre algo melhor a nos oferecer. É justamente esta a conclusão de Santo Tomás de Aquino: “Nada obsta a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Com efeito, Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior. Donde a palavra de S. Paulo: ‘Onde excedeu o pecado, superexcedeu a graça’ (Rm 5,20).”
Por isso a importância de buscarmos apoio na vida em comunidade, a formação na ascese cristã pelos conselhos dos mais velhos, e participar desse processo de crescimento e amadurecimento na fé. É assim que colheremos os frutos ao seu tempo, se não tivermos desfalecido! (Gálatas 6,9b).
Newton Takahashi.


