Quantas vezes passamos por momentos em que nos sentimos traídos? Quantas vezes pessoas tão próximas a nós agiram com tanta indiferença para conosco? Às vezes, até mesmo sem ter consciência da dor que estavam causando.
Assim se sente o salmista. Pessoas pelas quais ele jejuava e às quais considerava como irmãs, no momento em que precisou de apoio, de ajuda, voltaram às costas para ele. E, além disso, ao ser acusado de erros que não havia cometido, essas pessoas tão próximas ajudavam a colocar lenha na fogueira ao invés de ajudá-lo a provar sua inocência.
Hoje, as coisas não andam tão diferentes. Num mundo tão capitalista, tão voltado ao produzir, e tão obediente à lei da oferta e da procura, passamos a tratar as pessoas e a amá-las conforme o tanto que podem nos oferecer, passamos a ser interesseiros, e caso haja alguma suspeita à seu respeito logo nos colocamos de fora para não sermos confundidos! Atitude tão parecida com a de Pedro ao negar o Senhor. Atitude tão contrária à do Mestre que fazia questão de ir aos banquetes dos publicanos e pecadores bem à vista de todos!
Vemos neste salmo um dos temas mais preciosos da Bíblia: a perseguição do Justo. Podemos fazer dele nossa oração, por todos os momentos em que nos sentimos injustiçados, traídos, incompreendidos, dizendo com toda nossa alma: “Senhor, não vos aparteis de mim. Acordai e levantai-vos para me defender…”(v.23). E por mais agressivo que possam parecer as demais palavras do salmista, temos de torná-las nossa oração também. Não contra pessoas, não contra aqueles que nos perseguem, mas contra o mal que se levanta contra nós, por vezes através de pessoas, por vezes através de acontecimentos. Mas sempre contra o mal e não contra as pessoas, pois cedo ou tarde podemos também estar na situação contrária.
Podemos vislumbrar sempre em cada salmo a dimensão do Messias, do Príncipe da Paz, do Servo do Senhor, e hoje do Justo Perseguido, já que Nosso Senhor é o Justo por Excelência. Podemos ainda com Ele, elevar à perfeição nossa oração e nossos sofrimentos, pois ele padece junto conosco (compadece) cada circunstância, e assim eliminar todo mal que se levanta contra nós e dentro de nós. Clamando assim a libertação do mal que nos oprime por fora, e também nos abrindo à cura do nosso interior ao perdoar nossos perseguidores, e todos que nos causaram mágoas, dores, ressentimentos, rancores.
Peçamos juntos ao Senhor que nos livre de todos os males e abra nosso coração ao perdão, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou:
Pai Nosso…



